Image Hosted by ImageShack.us

Quarta-feira, Maio 31, 2006

Crítica: Free Zone (2005)


Free Zone
Amos Gitai, Israel, 2005


O título do mais recente filme do realizador israelita Amos Gitai refere-se a uma zona de regulamento especial criada pelo governo da Jordânia onde é possível realizar comércio sem se pagar os habituais impostos.
Rebecca (Natalie Portman) é uma americana que termina a relação com o seu namorado, um soldado do exército israelita, depois de este lhe ter confessado algumas das atrocidades que cometeu durante a sua presença em território palestiniano. Sem saber o que fazer, Rebecca pede à sua taxista israelita Hanna Ben Moshe (Hana Laszlo) que a leve consigo seja para onde for. Hanna dirige-se à Free Zone para uma reunião de negócios. Quando lá chegam encontram Leila (Hiam Abbass) a esposa palestiniana do americano com que o marido de Hanna tinha feito negócio.

Free Zone não agradou a muita gente. A abordagem descomplexada e metafórica ao conflito no médio oriente acabou ao mesmo tempo por ostracizar o público habitual do realizador, que o considerou demasiado simplista, enquanto os restantes o continuam a considerar um filme demasiado idiossincrático de difícil assimilação.
Suportado por três grandes interpretações femininas (Hana Laszlo ganhou mesmo o prémio de melhor actriz no Festival de Cannes de 2005) o filme recorre a uma abordagem marcadamente emocional ao conflito israel-palestiniano. A perspectiva feminina deste interminável diferendo é refrescante e consegue sensibilizar. Ao longo da viagem destas três mulheres percebemos as pequenas grandes diferenças que tornam tão difícil a mediação do conflito nesta zona do globo. O filme põe a nu a desconfiança que germina de dia para dia entre estes dois povos, bem como a nefasta influência estrangeira que acaba por complicar ainda mais a já caótica situação.

No primeiro plano do filme que dura aproximadamente oito minutos, Rebecca chora. O que começa como um acto de pura tristeza evolui progressivamente para uma aceitação da sua realidade e para a constatação da inevitabilidade de prosseguir com a sua vida. Para quem persistir e apreciar as pequenas nuances que o filme tem para oferecer, Free Zone poderá ser uma experiência cinematográfica muito compensadora.

8/10

posted by Márcio at 22:10

0 Comments:

Enviar um comentário

<< Home

Contactos

  • Diogo
  • Márcio

Críticas

  • À Ma Soeur (2001)
  • Barking Dogs Never Bite (2000)
  • Batalla En El Cielo (2005)
  • Broken Flowers (2005)
  • Caché (2004)
  • Calvaire (2004)
  • Control Room (2004)
  • Crash (2005)
  • Crimson Gold (2003)
  • Dead Man's Shoes (2004)
  • Free Zone (2005)
  • Good Night and Good Luck (2005)
  • Head-On (2004)
  • Hostel (2005)
  • La Mujer Sin Cabeza (2008)
  • La Terza Madre (2007)
  • Last Life in the Universe (2003)
  • L'Enfant (2004)
  • Match Point (2005)
  • Memories of Murder (2003)
  • O Fantasma (2000)
  • O Milagre Segundo Salomé (2004)
  • Rois et Reine (2004)
  • The Mourning Forest (2007)
  • Together (2000)
  • Turtles Can Fly (2004)
  • Vou Para Casa (2001)
  • Wolf Creek (2005)
  • Clássicos

  • Bob Le Flambeur (1955)
  • Rebel Without a Cause (1955)
  • The Last Laugh (1924)
  • A Bela do Dia

  • Béatrice
  • Catherine
  • Jane
  • Maggie
  • Naomi
  • Natalie
  • Nicole
  • Tippi
  • Zhang
  • Zoë
  • Incest Kitchenette

  • Entrails of a Virgin (1986)
  • Go, Go Second Time Virgin (1969)
  • I.K.U. (2000)
  • I Spit On your Grave (1978)
  • In The Realm Of The Senses (1976)
  • Naked Blood (1995)
  • Salò O Le 120 Giornate Di Sodoma (1975)
  • Outros

  • A Saga Antoine Doinel
  • Bertolucci & Bacon
  • Hitchcock & Dali
  • MPD Psycho
  • Anteriores

    • Zapping: Carrie (1976)
    • Incest Kitchenette: Entrails of a Virgin (1986)
    • Crítica: O Milagre Segundo Salomé (2004)
    • A bela do dia: Zoë
    • Zapping: Sans Soleil (1983)
    • Crítica: Crimson Gold (2003)
    • Incest Kitchenette: Salò O Le 120 Giornate Di Sodo...
    • Invasão Asiática
    • Zapping: Videodrome (1983)
    • Outros: A Saga Antoine Doinel