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terça-feira, fevereiro 28, 2006

Crítica: Caché (2005)


Caché
Michael Haneke, França, 2005

O mais recente trabalho do realizador austríaco sedeado em França está a ser muito bem recebido por toda a Europa, como já o havia sido o seu filme anterior, o nem sempre facilmente digerível
La Pianiste, que trouxe mais uma vez aclamação à multi-facetada Isabelle Huppert.

Desta vez os protagonistas são outros.

Os também experientes Daniel Auteuil e Juliette Binoche representam um casal de classe média que se vê misteriosamente confrontado com umas cassetes vídeo que acabarão por lhes tirar o descanso e o conforto que o seu estilo de vida lhes permite.

Não deixa de ser curiosa a escolha do actor principal para representar uma personagem cujo pouco à-vontade e nervosismo latente vem ao de cima quando em presença de figuras de outras origens, visto ele próprio ter nascido na Argélia.

Podemos dizer que a presença europeia nesta ex-colónia francesa é a razão de fundo desta alegoria.

É comum a muitos países do Ocidente esta situação histórica de colonização de um país menos desenvolvido cujas novas gerações se estabelecem no antigo estado dominante e daí advêm muito frequentemente confrontos não apenas psicológicos como também físicos.

Os impactos mais profundos de Caché verificam-se ao nível da mente, perturbada por um mistério inconclusivo e pela esparsa explosão violenta que nos choca pela sua economia e imediatez.

Somos confrontados com imagens que por vezes duvidamos se serão a câmara de Haneke ou a do observador desconhecido, ou mesmo nós próprios, vouyers desta realidade quotidiana.

As mais de duas horas desta peça passam sempre com a dedicação da nossa atenção, invulgar numa produção europeia em que a estabilidade da camera e o silêncio constante são imagens de marca.

Caché inquieta pela sua crítica aguda mais do que pelo mistério intenso. Um excelente exercício sobre o medo que a diferença pode suscitar, o filme foi considerado o melhor do ano pela Academia Europeia de Cinema.

8/10

posted by Diogo Fonseca at 17:19

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