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sexta-feira, março 10, 2006

Crítica: Good Night and Good Luck (2005)


Good Night and Good Luck
George Clooney, EUA, 2005

O título refere-se à expressão utilizada, noite após noite, pelo pivot da CBS, Edward R. Murrow, ao despedir-se dos espectadores no final de cada emissão de um dos seus programas.
Durante anos, Murrow foi apresentador de “Person to Person”, dedicado a entrevistas de figuras célebres da altura, assim como do mais virado para a investigação jornalística “See it Now”, deixando a sua marca não apenas pelo uso da sua frase típica, mas também pela qualidade e rigor das transmissões. O filme assinala bem a diferença entre os dois programas, sendo notória a necessidade do primeiro para a sobrevivência do último.
É através deste que Murrow aborda a problemática, então emergente, da caça às bruxas levada a cabo pelo senador Joseph McCarthy. Na sua fase mais crítica, os inquéritos eram dirigidos a todo aquele que fugisse ao ideal patriota, sendo os mesmos consequentemente acusados de "comunismo" (!) e conspiração contra o Estado. Este momento marcante da história recente dos Estados Unidos é aqui capturado brilhantemente, com óbvio foco neste meio de comunicação social.
Paralelamente é aflorado o quotidiano dos restantes membros da redacção, assim como a relação entre os jornalistas e o chefe da cadeia televisiva norte-americana.
David Strathairn é impressionante ao encarnar a personagem principal, um defensor das liberdades e garantias do cidadão comum. O nervosismo contido e a motivação interior do jornalista vêem ao de cima através da movimentação corporal do actor. A complexa figura é construída com simples olhares, posicionamentos de mãos ou principalmente na forma como o discurso é debitado, directo e conciso.
Por seu lado, George Clooney, que também figura ao lado de Strathairn, mostra-se bastante seguro neste seu segundo esforço atrás das câmaras. Tal como em Confessions of a Dangerous Mind, Good Night and Good Luck ilustra a promiscuidade entre os meios dos media e do poder político, neste caso como uma arma contra os abusos do segundo. A realização é bastante positiva tanto na escolha dos ângulos como na dinâmica imprimida às cenas, apesar da limitação espacial.
De realçar ainda o excelente preto e branco, obra do cinematógrafo Robert Elswit, e os interlúdios musicais.
O final,no entanto, leva-nos a questionar como será o episódio da próxima semana.

8/10

posted by Diogo Fonseca at 18:15

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