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sexta-feira, abril 28, 2006

Clássicos: The Last Laugh (1924)


Letzte Mann
F. W. Murnau, Alemanha, 1924

Juntamente com nomes como Eisenstein e Griffith, F. W. Murnau é uma das figuras mais importantes da era do cinema mudo. Esta segunda grande obra do realizador alemão é um marco do início do século passado, surgindo dois anos após o talvez mais famoso Nosferatu.
O filme foi dirigido ainda durante a sua fase alemã, que culminaria dois anos depois com Faust e que lhe valeria o reconhecimento do outro lado do atlântico de cuja colaboração resultaria o seminal Sunrise.
Ladeado por dois contos do sobrenatural, O Último Homem narra um momento decisivo na vida de um homem comum. Um respeitado porteiro de hotel que vê o seu mundo fugir-lhe à frente dos olhos de um momento para o outro.

Emil Jannings, que em 1931 protagonizaria com Marlene Dietritch o também alemão The Blue Angel, é esse homem. O seu desempenho é imaculado, tanto quando retrata a nobreza com que a personagem executa o seu emprego, como quando caído na desgraça todo o seu corpo e idade lhe pesam. Também a forma como a sua figura é vista pela sua comunidade sofre um tremendo abalo.
Os movimentos exagerados e as expressões exacerbadas são típicos da corrente expressionista que dominava a Europa e servem de perfeito substituto ao uso das palavras, que aliás não surgem nem como os habituais separadores que contavam o desenvolvimento da história.
Não sendo a mais complexa das narrativas, esta é completada por elementos visuais de extremo arrojo e originalidade. A cãmara de Karl Freund desliza como nenhuma anteriormente, por exemplo, ao atravessar a porta giratória da entrada do hotel ou mesmo ao espreitar o interior de um trompete que toca no rescaldo da celebração do casamento da filha da personagem principal. Outro momento vanguardista surge com a representação de um sonho do embriagado patriarca, onde figuras disformes assombram cenários desenquadrados, e a lei da gravidade é desafiada.
A banda sonora que acompanha o filme é também outro ponto alto. Uma peça de música clássica que nunca explodindo em demasia, consegue acompanhar sempre com grande intensidade os altos e baixos por que passa aquela figura simpatética.
O filme culmina numa imagem avassaladora de Jannings prostrado numa casa de banho do hotel, iluminado por uma luz divina. No entanto, e como nos é anunciado, algo a contragosto do autor, é adicionado um epílogo que contraria o ambiente criado anteriormente.
Ainda assim, este pormenor não consegue invalidar a obra incontornável que é The Last Laugh, uma película ao mesmo tempo acessível e inovadora, que persiste tanto tempo após a sua criação.

posted by Diogo Fonseca at 10:58

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