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sábado, março 04, 2006

Crítica: Vou Para Casa (2001)


Je rentre a la maison
Manoel de Oliveira, Portugal/França, 2001


Com quase um século de vida, é por si só um facto admirável que Manoel de Oliveira mantenha ainda clareza de mente e força de espírito para continuar a realizar filmes, ano após ano.

Esta realidade, no entanto, não implica necessariamente qualidade em todas as suas obras, aliás como acontece com todos os autores mais prolíficos cujos projectos muitas vezes não têm tempo de amadurecer.

Esta acaba por ser a maior falha de Je Rentre a la Maison, realizado em 2001 e mais uma vez produzido por aquele que parece ser o único a fazê-lo em Portugal, Paulo Branco.

O filme, maioritariamente falado em françês, e totalmente rodado em Paris, centra-se na figura de Gilbert Vance, um actor de meia-idade, que após uma actuação recebe notícias chocantes.

A premissa não é complexa, mas o filme perde-se nos seus apartes semi-cómicos, que não nos permitem mais que esboçar um sorriso, e na lentidão com que nos mostra os acontecimentos.

Exemplo disso são os longos excertos de representações teatrais de Exit The King de Eugéne Ionesco e The Tempest de William Shakespeare, assim como um ensaio para uma realização cenimatográfica de Ulysses, escrito por James Joyce.

Muitas cenas desnecessárias e outras prolongadas em demasia afastam o espectador da verdadeira tragédia que constitui a narrativa.

Apesar disto, Michel Piccoli consegue ser simplesmente sublime ao mostrar a força interior da personagem após tais eventos marcantes, e a sua vontade de seguir em frente mesmo sem se entregar a saídas fáceis, numa actuação que lhe valeu uma nomeação pela Academia Europeia de Cinema.

Fazem ainda breves aparições Catherine Deneuve, cuja postura magistral obscurece a nulidade do seu papel, assim como John Malcovitch, igual a si mesmo, longe de conseguir dotar a sua personagem de características próprias; e as portuguesas Leonor Baldaque e Leonor Silveira, sem intervenções dignas de memória.

Não ultrapassando a hora e meia, Je Rentre a la Maison consegue, ao mesmo tempo, parecer longo e demorado nas suas deambulações assim como superficial e pouco eficaz por não aprofundar convenientemente as emoções transmitidas.

No final permaneçe a sensação de que este poderia ter sido um grande filme.

6/10

posted by Diogo Fonseca at 17:43

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