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terça-feira, fevereiro 28, 2006

Outros: Dali & Hitchcock

Em 1945 Alfred Hitchcock convidou o pintor espanhol Salvador Dali para ilustrar com a sua arte uma sequência de sonho, que escondia a resolução para o mistério que nos é alimentado ao longo do filme.
Ingrid Bergman interpreta uma psiquiatra residente numa instituição privada que espera o seu novo director, Gregory Peck. No entanto, este parece também ter os seus próprios problemas, que constantemente o atormentam.
Apesar das muitas produções de Hollywood a apoiá-lo, o realizador britânico nunca fez grandes concessões, nem parou de querer experimentar e buscar ideias com outros grandes artistas, Spellbound é bom exemplo disso.
Dali recorreu a elementos simbólicos e surrealistas, característicos da sua obra, para retratar as imagens que povoavam a mente do protagonista.
Figuras ao mesmo tempo perturbadoras e fascinantes inerentes ao funcionamento do subconsciente resultam desta composição. Infelizmente nem toda a produção do pintor foi integrada no filme, ou sobreviveu ao tempo.

posted by Diogo Fonseca at 17:47 0 comments

Crítica: Caché (2005)


Caché
Michael Haneke, França, 2005

O mais recente trabalho do realizador austríaco sedeado em França está a ser muito bem recebido por toda a Europa, como já o havia sido o seu filme anterior, o nem sempre facilmente digerível
La Pianiste, que trouxe mais uma vez aclamação à multi-facetada Isabelle Huppert.

Desta vez os protagonistas são outros.

Os também experientes Daniel Auteuil e Juliette Binoche representam um casal de classe média que se vê misteriosamente confrontado com umas cassetes vídeo que acabarão por lhes tirar o descanso e o conforto que o seu estilo de vida lhes permite.

Não deixa de ser curiosa a escolha do actor principal para representar uma personagem cujo pouco à-vontade e nervosismo latente vem ao de cima quando em presença de figuras de outras origens, visto ele próprio ter nascido na Argélia.

Podemos dizer que a presença europeia nesta ex-colónia francesa é a razão de fundo desta alegoria.

É comum a muitos países do Ocidente esta situação histórica de colonização de um país menos desenvolvido cujas novas gerações se estabelecem no antigo estado dominante e daí advêm muito frequentemente confrontos não apenas psicológicos como também físicos.

Os impactos mais profundos de Caché verificam-se ao nível da mente, perturbada por um mistério inconclusivo e pela esparsa explosão violenta que nos choca pela sua economia e imediatez.

Somos confrontados com imagens que por vezes duvidamos se serão a câmara de Haneke ou a do observador desconhecido, ou mesmo nós próprios, vouyers desta realidade quotidiana.

As mais de duas horas desta peça passam sempre com a dedicação da nossa atenção, invulgar numa produção europeia em que a estabilidade da camera e o silêncio constante são imagens de marca.

Caché inquieta pela sua crítica aguda mais do que pelo mistério intenso. Um excelente exercício sobre o medo que a diferença pode suscitar, o filme foi considerado o melhor do ano pela Academia Europeia de Cinema.

8/10

posted by Diogo Fonseca at 17:19 0 comments

Crítica: Head-On (2004)


Gegen die Wand
Faith Akin, Alemanha, 2004


Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim, Gegen die Wand foca a sua narrativa nas vidas de Cahit e Sibel, dois jovens originários da Turquia a viverem na Alemanha.
O primeiro encontro tem lugar numa instituição médica, e a partir daí as suas vidas unem-se numa espiral de acontecimentos que os irão mudar definitivamente.
Tal como as suas personagens, o realizador Faith Akin é de origem turca e é com total naturalidade que se movimenta nos meios emigrantes da sua nova casa, mostrando o apego dos mais velhos às suas tradições islâmicas e o desejo de ocidentalização dos mais novos.
Correndo as quase duas horas e meia de duração, Gegen die Wand possui um ritmo admiravelmente rápido, em grande parte devido à forma leve como aborda certos temas que parecem já não chocar ninguém, ás boas interpretações do par principal e também ao uso de técnicas de câmara e imagem que mantêm o espectador em constante atenção.
A presença dominante da música em todo o filme também contribui para esta característica. Durante as várias saídas à noite ouvimos clássicos da pop electrónica dos anos ’80 como Depeche Mode ou Sisters of Mercy, mas também de referir os interlúdios preenchidos por segmentos de música tradicional turca interpretados numa das margens da capital turca.
Este é um bom exemplo onde a palavra entretenimento não assusta ninguém. No entanto, a narrativa e o formato convencional, apesar de descontraído e com o pé no acelerador, mostram a falta de uma marca individual que talvez se pode observar nos trabalhos de outros alemães como Tom Tykwer de Lola Rennt.
Isto não invalida que se aprecie uma boa história contada de uma forma inteligente, dando atenção aos pormenores, figuras e situações laterais que ajudam a dar maior profundidade ao filme.


6/10

posted by Diogo Fonseca at 17:14 0 comments

A bela do dia: Zhang



2046 é um filme carregado de beleza, seja pelas suas protagonistas, seja pela forma como o realizador de Hong-Kong, Wong-Kar Wai, as filma.
Entre elas brilha Zhang Ziyi, actriz chinesa que havia participado no já classico Crouching Tigger, Hidden Dragon, e nas "sequelas" Hero e House of the Flying Daggers.
Aqui é Bai Ling uma acompanhante de classe que se cruza com o narrador em 1969, numa das suas viagens ao passado.
Neste drama que mistura passado e futuro, a narrativa não linear nem sempre permite acompanhar o mestre de Chungking Express, mas a beleza das palavras e das imagens, não deixa de siderar o espectador, tal como em outras obras anteriores. Entre elas está In The Mood For Love, cuja personagem principal é a mesma, mas que não foge para paragens distantes no tempo.

Romântico, exótico e clássico, 2046 possui imagens cujas cores saturadas e ângulos coreografados ao pormenor surpreedem e fascinam, permanecendo na memória do espectador.

Zhang Ziyi por sua vez é sensual e quente, numa figura talvez distante da imagem convencional da mulher chinesa. Classe e estilo estão de mãos dadas, cada vez que a vemos entrar em cena.

posted by Diogo Fonseca at 16:05 0 comments

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Crítica: Match Point (2005)


Match Point
Woody Allen, Inglaterra, 2005

Woody Allen trocou a sua amada New York pela capital inglesa, Londres, e é aí que se desenrola este conto de ambição com consequências trágicas. Chris e Nola são dois jovens ambiciosos oriundos de famílias menos favorecidas que procuram alcançar, cada um por si, um lugar de conforto na alta sociedade britânica.
Os problemas surgem quando entre os dois se desenvolve uma forte atracção, que racionalmente nenhum deseja, mas que tragicamente não conseguem afastar.
O enredo desenvolve-se em ambientes de riqueza e abundância, rodeados de haute culture. As referências ás belas-artes são constantes, notoriamente as poderosas peças de Ópera que se ouvem em momentos chaves do drama.

A presença desta excessiva materialidade, inerente à classe alta londrina, faz ainda mais sentido quando nos apercebemos do fascínio que produz sobre as personagens principais, e como motivação das suas acções, principalmente do jovem instrutor de ténis, interpretado por Jonathan Rhys-Meyers. É sobre ele e a beleza clássica de Scarlett Johansson que as luzes brilham.
Assinaláveis ao demonstrarem que aquele não é um mundo a que pertencem. Paralelamente à tragédia, somos deliciados com ligeiros momentos de comédia, principalmente devido á presença dos actores britânicos da série League Of Gentlemen, mas que nunca se sobrepõem à trama principal.
Apesar das quase duas horas e meia e do ritmo pausado, em grande parte pelo uso do realizador norte-americano de planos estáticos sem cortes dentro das cenas e com movimentos de câmara controlados e limitados, a história cativa até á sua conclusão.

Com tudo o que foi aqui escrito, e após visionado Match Point, não é difícil surgir á memória o realizador francês Claude Chabrol. De facto, parece complicado contornar a influência do cinema de autor europeu nesta nova fase da carreira do realizador norte-americano.
Característicos são a estrutura romance-barra-policial, a técnica simples e directa de filmagem e narração, mas também a perdição que advém da deificação da personagem feminina principal, assim como a ligeira crítica ás classes mais abastadas da sociedade.
Match Point não perde em nada a sua força. Esta referência só lhe exige uma qualidade que Woody Allen não mostra esforço a produzir

8/10

posted by Diogo Fonseca at 23:14 0 comments

sábado, fevereiro 25, 2006

A bela do dia: Natalie











A escolha não foi das mais fáceis, mas aqui está a inaugurar esta mui nobre secção do blog a belíssima Natalie Portman em Closer (2004), do realizador americano Mike Nichols.

Natalie é Alice, uma stripper americana que no início do filme vemos ser atropelada por um carro. Este é o primeiro acontecimento a que a leva a envolver-se com Dan (Jude Law), e consequentemente ver-se envolvida no meio das turbulências emocionais próprias das relações. Adaptação de uma peça de teatro, como anteriormente Nichols já havia feito com Who's Afraid of Virginia Woolf? ou Angels in America, Closer é muito rico no que toca à qualidade dos diálogos e das interpretações (representam ainda o excelente Clive Owen e Julia Roberts, finalmente num papel decente), e valeu à jovem nascida em Jerusalém a nomeação para o Oscar de melhor actriz secundária.

Iniciando-se no cinema ainda muito nova, em 1994, com um papel em Léon de Luc Besson, apenas mais recentemente obteu o reconhecimento merecido, primeiro do grande público com a participação na nova trilogia de Star Wars (mais uma vez sublime enquanto Padmé) e finalmente da critica, com este filme do ano passado. Já memorável é a cena entre Natalie e Clive Owen na sala privada do clube de strip-tease, com The Smiths a tocar em fundo.

posted by Diogo Fonseca at 23:20 0 comments

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  • À Ma Soeur (2001)
  • Barking Dogs Never Bite (2000)
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  • Caché (2004)
  • Calvaire (2004)
  • Control Room (2004)
  • Crash (2005)
  • Crimson Gold (2003)
  • Dead Man's Shoes (2004)
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  • Good Night and Good Luck (2005)
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  • La Mujer Sin Cabeza (2008)
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  • Match Point (2005)
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    • Crítica: The Mourning Forest (2007)
    • Zapping: The Lady From Shanghai (1947)
    • Crítica: La Terza Madre (2007)
    • Crítica: La Mujer Sin Cabeza (2008)
    • Crítica: Turtles Can Fly (2004)
    • Crítica: L'Enfant (2004)
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    • Crítica: O Milagre Segundo Salomé (2004)
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    • Crítica: Crimson Gold (2003)

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