Image Hosted by ImageShack.us

segunda-feira, maio 29, 2006

Crítica: O Milagre Segundo Salomé (2004)


O Milagre Segundo Salomé
Mário Barroso, Portugal, 2004

Adaptando o romance de José Rodrigues Miguéis,
O Milagre Segundo Salomé centra a sua acção em 1917, altura em que, no panorama social, a ainda florescente primeira República Portuguesa atravessa momentos de instabilidade; e segue a figura de Salomé, uma jovem vinda do interior, que trabalha como prostituta de luxo na casa de Dona Rosa.

Atraíndo as atenções de um próspero banqueiro, cedo a rapariga se transfere para mais requintados ambientes.

No entanto, não se sentindo verdadeiramente apaixonada e sentindo o apelo das suas origens decide regressar à sua terra natal, onde é protagonista de um irónico incidente que marcaria as épocas vindouras.

A estreia na realização do ilustre cinematógrafo Mário Barroso demonstra a sua excelência na técnica e a experiência obtida nos muitos anos de trabalho com várias figuras de renome.

O filme, que é excepcional no panorama cinematográfico nacional, assenta a sua sólida construção, tanto no virtuosismo visual de Barroso (aqui também a cargo da fotografia) e numa constante sensação de profissionalismo, visível na detalhada reprodução do ambiente de início de século; como também num argumento coerente constituído de narrativas paralelas bem estruturadas que lhe atribuem profundidade.

De entre os actores, o nome do experiente Nicolau Breyner sobressaí, graças a uma sóbria interpretação de um novo-rico iludido com o seu novo afecto, mas consciente da momentaniedade de tal situação.

A apoiá-lo encontra-se um conjunto de jovens que, apesar de não alcançarem a sua qualidade, conseguem sustentar as suas personagens eficazmente.

Ana Bandeira, a Salomé do título, é bem sucedida ao ilustrar o provincialismo dessa rapariga, instrumento de manipulação de multidões.

Outra saudável presença é a do maestro Bernardo Sassetti, que enriquece a película com as suas composições.

7/10

posted by Diogo Fonseca at 20:33 0 comments

domingo, maio 21, 2006

Zapping: Sans Soleil (1983)

Narrator: When spring came, when every crow announced its arrival by raising his cry half a tone, I took the green train of the Yamanote line and got off at Tokyo station, near the central post office.
Even if the street was empty I waited at the red light “Japanese style” so as to leave space for the spirits of the broken cars.

Sans Soleil
Chris Marker, França, 1983

posted by Diogo Fonseca at 17:51 0 comments

Crítica: Crimson Gold (2003)


Talaye Sorgh
Jafar Panahi, Irão, 2003


Após terem colaborado em The White Balloon de 1995, o realizador Abbas Kiarostami voltou a escrever o argumento para outro filme do seu compatriota Jafar Panahi.

Desta feita, Ouro e Sangue narra a história de Hussein, um homem levado ao desepero pela sua situação numa sociedade de grandes contrastes sociais.

A primeira cena, um longo take em que a câmara estática deixa perceber um assalto a uma joalharia que acaba da pior maneira, é na verdade o final da história.

Na restante hora e meia são-nos mostradas as razões que levaram a tal incidente.

Ao longo de vários acontecimentos caricatos, Hussein é confrontado com a sua posição na sociedade de Teerão; seja quando é impedido de realizar o seu trabalho pela polícia, ou quando por breves momentos tem acesso a uma vida de luxo, longe das suas possibilidades.

Ao mesmo tempo várias críticas são feitas à actual situação interna do país.

Servem de veículo a estes comentários um jovem soldado obrigado a assumir o cargo do irmão mais velho após a morte deste, ou a irmã de Ali, um amigo de Hussein que espera vê-los casados, que expressa o nível de enraizamento da mentalidade opressora do regime islâmico vigente.

Tal como a sua personagem, Hossain Emadeddin na realidade trabalha a entregar pizzas.

Este actor amador, com problemas de esquizofrenia, proporciona, através apenas da sua apatia e impotência, momentos angustiantes que expressam as humilhações sofridas em cada sequência.

Apesar da falta de dinamismo na montagem, a acção consegue manter a fluência necessária para transmitir a odisseia deste homem simples.

7/10

posted by Diogo Fonseca at 15:03 0 comments

sábado, maio 20, 2006

Incest Kitchenette: Salò O Le 120 Giornate Di Sodoma (1975)

Realizador, argumentista, dramaturgo e poeta, o italiano Pier Paolo Pasolini permanece uma das figuras mais controversas das artes do século passado. A polémica envolve não só a sua obra como também a sua vida, inclusivé o momento da sua morte, consequência do lançamento deste seu último manifesto.


Partindo do infâme livro de Marquês de Sade, Pasolini centra os acontecimentos na República de Saló, último bastião do regime fascista de Mussolini durante a segunda guerra mundial e local onde o seu irmão foi assassinado. Aqui quatro figuras de autoridade, entre elas um bispo e um magistrado, raptam um grupo de menores, submetendo-os aos seus caprichos durante cento e vinte dias de poder absoluto.


Ao longo de quatro capítulos assistimos à maior degradação do ser humano alguma vez filmada, tanto das vítimas, que sofrem os mais incríveis abusos, como dos agressores, que se entregam aos deleites do seu domínio. As imagens são de uma intensidade extrema, mas as metáforas que encerram são-no ainda mais.


Apesar de contar com o maestro Ennio Morricone nos créditos, a outros níveis técnicos a película desaponta. No entanto, a sua importância reside na sua atitude de choque visual e ideológico. Um documento de visionamento obrigatório, em que o desconforto será constante.

posted by Diogo Fonseca at 10:56 0 comments

domingo, maio 14, 2006

Outros: A Saga Antoine Doinel

Dando início à sua carreira de longas-metragens em 1959 com Les 400 Coups, o crítico François Truffaut originou assim também a mais famosa saga do cinema francês. Ao longo de cinco filmes assistimos ao desenrolar da vida de
Antoine Doinel, desde o início encarnado por Jean-Pierre Léaud.


A história começa com Antoine ainda menor e acompanha-o em momentos decisivos da sua infância instável que culminam na sua fuga de um reformatório.
Altamente biográfica, a película é uma figura central na emergência do cinema de autor e uma pedra basilar da nova vaga de realizadores franceses.
Em 1962 o realizador ensaiou uma primeira sequela com Antoine et Collete, uma curta que incide na paixão que um já jovem adulto Doniel nutre pela outra personagem do título, apesar de ter uma relação mais próxima com os pais desta.


Seis anos mais tarde surgiria Baisers Volés, onde Antoine, dispensado do exército, experiencia uma série de episódios cómicos nos seus sucessivos empregos, ao mesmo tempo que procura ganhar o afecto de Christine (Claude Jade).
Em Domicile Conjugal de 1970 assistimos ao quotidiano do par já casado, numa comédia romântica que traz novo fôlego à sequência. A completar o conjunto, L'Amour En Fuite de 1979, confronta o agora pai Doinel com as suas anteriores paixôes.


Em todos os filmes a personalidade dinâmica e turbulenta de Antoine sobressaí perante as adversidades que desde criança é forçado a enfrentar. No final, permanece a sua figura inocente e sonhadora.

posted by Diogo Fonseca at 20:28 0 comments

domingo, maio 07, 2006

Zapping: Invasion of the Body Snatchers (1956)

Wilma Lentz: "There's no emotion. None. Just the pretense of it. The words, the gesture, the tone of voice, everything else is the same, but not the feeling."

Invasion of the Body Snatchers
Don Siegel, EUA, 1956

posted by Diogo Fonseca at 13:57 0 comments

quarta-feira, maio 03, 2006

Crítica: À Ma Soeur (2001)


À Ma Soeur
Catherine Breillat, França, 2001

Dois anos depois do bastante polémico Romance, a francesa Catherine Breillat realizou esta obra que conta a história de uma pré-adolescente cujo quotidiano, que deveria ser no mínimo banal, consegue ser uma experiência tormentosa.

Anaïs é uma jovem rapariga com excesso de peso que se encontra de férias com a família numa instância balnear.

Obrigada a acompanhar a sua irmã Elena, mais velha e bem mais magra, nos encontros desta com homens mais velhos, Anaïs passa por algumas situações algo deconfortáveis.

No entanto, esta é também a única pessoa com quem consegue comunicar, pois da parte dos próprios pais ambas recebem apenas desinteresse e hostilidade.

Devido à sua solidão, a pequena Anais recorre a pequenos jogos para criar um mundo seu de fantasia, como no belíssimo momento em que numa piscina se passeia pelos seus pretendentes.

Aqui, como em outros episódios, a jovem actriz, de seu nome também Anaïs, consegue habilmente retratar uma personagem com quem simpatizamos sem sentirmos pena.

Na verdade, todas as personagens femininas possuem uma maior complexidade, passando por variados acontecimentos que lhes permite mostrar os diferentes lados das suas personalidades.

Após uma série de incidentes que obrigam ao regresso antecipado a casa, o filme chega a um final abrupto e completamente inesperado.

Ao bom estilo do cinema europeu, tecnicamente o filme revela uma imagem espelho da realidade, com planos frontais muitas vezes estáticos e alongados, nomeadamente na cena mais explícita de toda a película em que Francesco, um italiano sem escrúpulos, passa a noite clandestino no quarto das irmâs.

Mas ao contrário de outros títulos, o filme consegue evitar o aborrecimento do espectador e justificar a inclusão das cenas mais provocadoras.

Recebendo o inexecrável título internacional de Fat Girl, À Ma Soeur é um poderoso estudo sobre a dificuldade de inclusão e interacção de alguns, revelador dos espinhos que se escondem numa idade de inocência; assim como uma película que mais uma vez tenta colocar mais à frente as barreiras do aceitável.

7/10

posted by Diogo Fonseca at 23:26 0 comments

Contactos

  • Diogo
  • Márcio

Críticas

  • À Ma Soeur (2001)
  • Barking Dogs Never Bite (2000)
  • Batalla En El Cielo (2005)
  • Broken Flowers (2005)
  • Caché (2004)
  • Calvaire (2004)
  • Control Room (2004)
  • Crash (2005)
  • Crimson Gold (2003)
  • Dead Man's Shoes (2004)
  • Free Zone (2005)
  • Good Night and Good Luck (2005)
  • Head-On (2004)
  • Hostel (2005)
  • La Mujer Sin Cabeza (2008)
  • La Terza Madre (2007)
  • Last Life in the Universe (2003)
  • L'Enfant (2004)
  • Match Point (2005)
  • Memories of Murder (2003)
  • O Fantasma (2000)
  • O Milagre Segundo Salomé (2004)
  • Rois et Reine (2004)
  • The Mourning Forest (2007)
  • Together (2000)
  • Turtles Can Fly (2004)
  • Vou Para Casa (2001)
  • Wolf Creek (2005)
  • Clássicos

  • Bob Le Flambeur (1955)
  • Rebel Without a Cause (1955)
  • The Last Laugh (1924)
  • A Bela do Dia

  • Béatrice
  • Catherine
  • Jane
  • Maggie
  • Naomi
  • Natalie
  • Nicole
  • Tippi
  • Zhang
  • Zoë
  • Incest Kitchenette

  • Entrails of a Virgin (1986)
  • Go, Go Second Time Virgin (1969)
  • I.K.U. (2000)
  • I Spit On your Grave (1978)
  • In The Realm Of The Senses (1976)
  • Naked Blood (1995)
  • Salò O Le 120 Giornate Di Sodoma (1975)
  • Outros

  • A Saga Antoine Doinel
  • Bertolucci & Bacon
  • Hitchcock & Dali
  • MPD Psycho
  • Ligações

    • Internet Movie Database
    • All Movie Guide
    • Cinemateca Portuguesa
    • Midnight Eye

    Anteriores

    • Crítica: The Mourning Forest (2007)
    • Zapping: The Lady From Shanghai (1947)
    • Crítica: La Terza Madre (2007)
    • Crítica: La Mujer Sin Cabeza (2008)
    • Crítica: Turtles Can Fly (2004)
    • Crítica: L'Enfant (2004)
    • Zapping: Manhattan Mystery Murder (1993)
    • Crítica: O Milagre Segundo Salomé (2004)
    • Zapping: Sans Soleil (1983)
    • Crítica: Crimson Gold (2003)

    Arquivo

    • fevereiro 2006
    • março 2006
    • abril 2006
    • maio 2006
    • junho 2006
    • julho 2006
    • julho 2009